NAZA de Rachel Szor e Yuval Abraham é um filme produzido pelo The Guardian que investiga os sistemas de inteligência das forças militares israelenses. No longa, a dupla expoõem como esse grupo de elite monitora o território palestino diariamente. Os depoimentos, guiados por Yuval, trazem relatos de dezenas de soldados que foram treinados e estimulados a desumanizar a população de vive em Gaza. Com distribuição da Vitrine Filmes, NAZA chegou aos cinemas brasileiros de 1º de outubro.

As entrevistas, realizadas nos telhados de Tel Aviv, revelam como o ecossistema de guerra é gerenciado dentro dos quartéis generais da capital. Contudo, elas não acontecem de forma passiva, Yuval muitas das vezes provoca a reflexão de seus entrevistados e não omite suas opiniões. Assim, mostrando que a coragem é a única ferramenta que pode enfrentar tamanho poderio bélico e ódio.

Os soldados da inteligência israelense contam o modus operandi de algumas operações, principalmente, como localizam alvos no território vizinho. Um deles explica inclusive que foi desenvolvida uma inteligência artificial capaz de rastrear celulares em toda a Palestina. Além disso, ela também tem o poder de assumir o controle dos aparelhos remotamente. Dessa forma, essa ferramenta auxilia diretamente nos ataques aéreos feitos com drones controlados das bases militares. As testemunhas deixam claro que a quantidade de baixas é o mais importante para eles.

Mas o que é ‘NAZA’?

Ao longo da narrativa, somos apresentados ao termo ‘NAZA’, uma espécie de métrica utilizada para contabilizar quantas mortes ocorreram durante um bombardeio. Apesar do absurdo, este é apenas mais um entre tanto outros mencionados nesta história. O entrevistador deixa claro o choque ao confirmar que o número não faz distinção pela idade ou gênero das vítimas. Ou seja, não importa se foram homens, mulheres, crianças ou até bebês que morreram, 1 ou 2 NAZAS, sempre serão 1 ou 2 mortes. Não importa quem tenha morrido, desde que o alvo da operação esteja entre eles.

Ao longo de pouco mais de uma hora, os diretores conseguem dar dimensão ao tamanho da crueldade que o povo palestino enfrenta todos os dias. Sob a justificativa de combater terroristas do Hamas, as forças de Israel fazem ataques aéreos de forma indiscriminada. De acordo com os relatos, muitas vezes os soldados sequer têm certeza de que o suposto alvo de fato tem ligação com as forças de resistência. Um deles afirma ainda que o efeito colateral de um bombardeio é ignorado mesmo quando o alvo é alguém de baixo escalão.

Quando verbalizam seus atos, os próprios soldados demonstram incômodo. Um deles chega a comparar o exército israelense ao nazista. Todos compartilham uma constatação: milhares de homens e mulheres aprendem a pensar dessa maneira e passam a enxergar os próprios vizinhos como inimigos. O país alimenta um verdadeiro ecossistema de ódio, que se fortalece diariamente e encontra respaldo em sua principal liderança. Afinal, torna-se difícil questionar essa lógica quando alguém vive tão imerso nela e permanece preso à própria bolha.

Vale a pena assistir ‘NAZA’?

Sim, vale a pena. ‘NAZA’ é um documentário urgente para aqueles que buscam entender a guerra em Gaza e posição de Israel neste conflito. Visto que no Brasil, assim como no mundo inteiro, existe uma tendência de comparar os israelenses com o que foi o povo judeu de outros tempos. Não se trata das mesmas pessoas, o que se vê ali são criminosos cometendo chacinas e brincando com a vida de pessoas que vivem na miséria.

Os diretores trazem, por meio de entrevistas, informações preciosas para que o telespectador compreenda de forma palpável o massacre que acontece no antigo território da Cisjordânia. São relatos impressionantes por tamanha inocência e honestidade de alguns em reconhecer seus crimes, que acontecem sob a supervisão de um Estado que vigia e pune.

A escolha pelos telhados de Tel Aviv, capital de Israel, dá ainda mais dimensão da fragilidade da vida humana. Poderia ser eles ali os atacados, mas o que acontece é um homicídio em massa da população vizinha. O documentário deixa claro a sua posição neste debate e também traz ao público uma reflexão sobre sua própria posição. NAZA estreou no Brasil em 1º de outubro.

Imagem de capa: Reprodução / Brasil de Fato

Naza
2026, documental, 80 min, Reino Unido, Estados Unidos e Israel

Direção e Roteiro: Yuval Abraham e Rachel Szor
Distribuição: Vitrine Filmes
Som: Benjamin Hörbe, Robert Farr, Lars Ginzel
Produtor: Harry Davies, Lindsay Poulton, James Wilson
Co-produtor: Ekaterina Ochagavia, Noa Yachot
Editor:
Yuval Abraham, Rachel Szor
Produtor executivo:
Harriet Gugenheim, Joseph Schull, Jonathan Glazer, Wendy Vanden Heuvel
Diretor de fotografia: Rachel Szor
Editor de som supervisor: Robert Farr
Classificação indicativa: 14 anos