Um suspense que mexe com o psicológico e que faz você duvidar das coisas que acontecem em cena. O longa Garotas Só Querem Vingança, que chegou recentemente ao streaming Filmelier+, conta a trajetória de cinco amigas e uma viagem, que era para ser diversão, mas termina de maneira trágica. Medo, violência e desconfiança marcam a trama.

Dirigido e escrito por Izabel Pakzad, o filme traz Bella Thorne, Helena Howard, Zión Moreno, Chloe Cherry e Sophia Ali como as cinco amigas que embarcam em uma viagem de festas, excessos e loucuras. Porém, o fim vai surpreender quem pensa que essa é só mais uma história clichê de jovens se aventurando pelo mundo.

Enredo caótico!

O filme começa com as amigas em uma festa em um iate. Elas estão bebendo, dançando e se divertindo, até Amber (Helena Howard) ficar sozinha com um rapaz com quem está se envolvendo para fazer ciúmes no ex. A situação, que deveria ser apenas mais um encontro casual, termina em uma tentativa de estupro. Ela consegue escapar, mas o trauma deixa marcas que vão influenciar as atitudes da jovem ao longo da história.

Mesmo depois do ocorrido, Amber continua na festa com as amigas, principalmente com o apoio de Zosia (Zión Moreno), mas acaba se envolvendo em uma briga com o abusador. Como consequência, o grupo de amigas é expulso da festa. E é nesse contexto que começa uma viagem pelo deserto.

Lavinia (Bella Thorne) recebe um convite para uma festa organizada por um músico que conheceu em um festival no ano anterior. A expectativa das garotas é aproveitar mais alguns dias de diversão, mas nem tudo sai como planejado. Em meio a festas, bebidas, drogas e relacionamentos confusos, o grupo de amigas se envolve em uma sequência de situações cada vez mais caóticas.

A situação começa a preocupar tanto o espectador quanto as personagens quando Lola (Chloe Cherry), uma das integrantes do grupo, “desaparece”. Na manhã seguinte, sem imaginar o que aconteceu com Lola, as garotas seguem com os planos de passear pelo deserto. Durante o passeio, Maddy (Sophia Ali) também acaba desaparecendo. A partir daí, a viagem, que era para ser uma bela diversão, transforma-se em uma luta desesperada pela sobrevivência.

O roteiro até consegue criar uma sequência de acontecimentos que desperta a curiosidade do público, mas a quantidade de situações absurdas acaba quebrando um pouco o encanto com a trama. Em certo ponto, parece que querem finalizar a história sem se preocupar em desenvolver adequadamente as consequências do que acontece em cena.

Helena Howard como Amber em "Garotas Só Querem Vingança"
Helena Howard como Amber em “Garotas Só Querem Vingança”. Crédito: IMDb

Duvidando do que acontece em cena…

Se existe um elemento que funciona nesse filme, é a maneira como o filme brinca com a mente do espectador.

Por acompanharmos Amber em meio ao consumo excessivo de drogas e álcool, além de seu trauma recente, fica difícil saber até que ponto podemos confiar no que estamos vendo. Será que ela está tão alterada que imagina estar sendo perseguida? Ou os homens realmente estão atrás dela, e o perigo é muito mais concreto do que parece?

Essa dúvida ajuda a sustentar o suspense. A narrativa nos coloca em um estado constante de desconfiança, fazendo com que cada situação pareça potencialmente ameaçadora. As cenas no deserto, especialmente aquelas em que a percepção de Amber parece distorcida, contribuem para essa sensação. Em alguns momentos, a experiência é quase como entrar na mente da personagem e acompanhar a confusão entre medo, paranoia e realidade.

O problema é que essa incerteza, que funciona tão bem em determinados momentos, nem sempre se traduz em uma narrativa consistente. Existe uma diferença entre deixar o público em dúvida de propósito e simplesmente apresentar acontecimentos que parecem não fazer sentido.

É justamente nesse quesito que o longa começa a perder força. A história apresenta situações de violência extrema e personagens submetidas a experiências traumáticas, mas nem sempre dedica tempo suficiente para desenvolver as reações emocionais e as mudanças de comportamento que essas experiências provocariam.

O exemplo mais evidente está no desfecho. Depois de tudo o que acontece, as garotas passam de vítimas em fuga a torturadoras, tomando decisões violentas de maneira abrupta. O roteiro parece mais interessado em chegar a um final chocante do que em construir uma mudança de postura das personagens de maneira convincente.

Vale a pena assistir ao filme “Garotas Só Querem Vingança”?

Sim! “Garotas Só Querem Vingança“ vale a pena para quem gosta de suspenses psicológicos caóticos, com personagens imprevisíveis e situações que desafiam a percepção da realidade. Porém, para quem espera uma história bem amarrada, com desenvolvimento consistente e um desfecho que faça sentido, a experiência pode ser frustrante. Ainda mais com um final tão… aberto.

O longa se perde quando precisa dar sentido a tantos acontecimentos e não segue uma linha coerente. O roteiro apresenta uma sucessão de situações extremas, mas nem sempre consegue conectá-las de maneira convincente. O espectador precisa interpretar as situações ao mesmo tempo em que tenta compreender o estado psicológico da protagonista – e das amigas dela.

A trama não é apenas sobre uma viagem entre amigas, mas sobre enfrentar inseguranças, medos e traumas.

O filme Garotas Só Querem Vingança já está disponível no Filmelier+.

Ficha Técnica

Garotas Só Querem Vingança
EUA, 2025, 92 min.
Direção: Izabel Pakzad
Roteiro: Izabel Pakzad
Produção: Izabel Pakzad, Monika Bacardi, Allison Friedman, Andrea Iervolino, Luca Matrundola
Elenco: Helena Howard, Bella Thorne, Zión Moreno, Chloe Cherry, Sophia Ali
Direção Fotográfica: Tim Curtin
Classificação: 16 anos

Imagem de capa: IMDb