Documentário acompanha o regente José Soares, da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, e explora a preparação mental e a dedicação por trás de cada concerto.
O Maestro de Vinícius Correia estreou em território nacional durante a 20ª Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte (Cine BH), realizada entre 22 e 27 de setembro. O documentário acompanha o regente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, José Soares, e mostra a rotina do grupo pelo seu ponto de vista. Além de um sessão na mostra, a produção também esteve disponível no Itaú Cultural Play.
Neste segundo projeto de Vinícius, observamos a rotina do maestro de uma grande orquestra nacional ao longo de pouco mais de 20 minutos. José Soares enfrenta uma rotina exaustiva com muitas viagens para concertos ao redor do mundo, ao mesmo tempo em que tenta se manter minimamente presente na vida da família. Contudo, ainda que a sua agenda seja cheia, o maestro é visto sempre em momentos solitários.
O filme busca trazer uma sensação melancólica e solitária usando imagens em preto e branco, gravadas durante uma turnê do maestro pela Ásia. Os registros mostram um protagonista inquieto e sozinho, que passa a maior parte do tempo imerso no trabalho e nos estudos.
A ausência da maestria
Apesar do nome, acredito que a regência deste filme é a grande ironia. Devido ao imenso silêncio, presente em grande parte das cenas, a narrativa se torna cansativa. Entretanto, entendo que a proposta aqui era ser algo documental e que, talvez, o orçamento não fosse grande o suficiente para fazer mais. Mesmo assim, senti falta de diálogos e mais situações da rotina de um maestro.
A sensação que fica é que José está sempre trabalhando muito e liga para casa quase que protocolarmente, porque sua cabeça e corpo estão sempre em outro lugar. O chefe da sinfonia não nos traz uma história, somos provocados a tirar nossas próprias conclusões em meio a suas reações e comportamentos silenciosos. Com o perdão da comparação, tive a sensação de assistir a um vlog só que sem narração alguma.
Destaco novamente aqui que entendo que esse era o objetivo do filme, mostrar que a figura do regente não é tão glamourosa assim, que envolve muita entrega e dedicação. Ainda assim, fiquei com a vontade de saber mais sobre José e o filme não entregou isso. Pra mim, esse é um formato audacioso para um curta. Porque sem um texto guia, o público pode dispersar completamente do ponto inicial.
Vale a pena assistir ‘O Maestro’?
Acredito que muitos músicos e trabalhadores da indústria podem se identificar com esse filme. A entrega necessária para alcançar seus sonhos, as datas comemorativas longe da família, isso é algo bastante comum no ramo. E nesse ponto, Vinícius e José conseguem mostrar exatamente como é.
Como alguém que convive com músicos, eu também observo esse silêncio e introspecção característicos de quem precisa de muita concentração para dar vida às partituras. Porém, acredito que esse contexto poderia ter sido entregue de uma forma mais palatável para o público. A execução técnica do filme não tem falhas, acredito que o único pecado de ‘O Maestro’ é o roteiro enxuto.
Espero poder ver mais trabalhos de Vinícius Correia em breve e, quem sabe, até um longo sobre o universo das orquestras. O curta-metragem O Maestro ainda não tem data de estreia definida.
Imagem de capa: Reprodução / Instagram (@canacaianafilmes)
O Maestro
Brasil, documentário, curta, 2026
Realização: Canacaiana Filmes
Maestro: José Soares
Direção e roteiro: Vinícius Correia
Produção Executiva: Bruno Hilário
Direção de Produção: Flora Silberschneider
Direção de fotografia: Vinícius Correia
Montagem e colorização: Mussi Produções
Logger/Som: Murillo Corrêa
Acessiblidade e legendagem: Casa Sete
Desenho de Som: Júlio Guatimosim
Designer Gráfico: Guilherme Tecianelli

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